Reinaldo Azevedo
01/04/2013
A violência, o que dizem os
números e a grande falácia. Ou: O que o IPEA e a Viva Rio querem provar?
No post abaixo,
vocês veem que o IPEA fez um estudo sobre o impacto do Estatuto do Desarmamento
na queda da venda de armas. E, tudo indica, forçou a mão para encontrar o que
procurava. Caiu 35% entre 2003 e 2009. Não conheço a base de dados. Não sei se
o estudo trata da venda legal de armas, com os devidos registros. Digamos que
seja assim e que o Ipea trabalhe com as informações as mais rigorosas.
A queda da venda
de armas, em si mesma, não é coisa boa nem coisa má, certo? O que nos interessa
é o seu efeito, o seu desdobramento. O Brasil tem um estudo sério sobre a
violência no Brasil. Trata-se do Mapa da Violência. Vamos ver o que aconteceu
com os homicídios por 100 mil habitantes no país entre 2000 e 2010. Notem que
vocês podem comparar os dados de referência usados pelo IPEA: 2003-2009:
Viram? A queda no
número de homicídios no país foi ridícula: de 28,9 por 100 mil entre 2003 para
27 por 100 mil em 2009. E essa queda foi garantida por estados como São Paulo e
Rio. Como o estatuto vigora no país inteiro, não apenas nessas estados,
políticas locais de segurança devem ter feito a diferença, ou o desarmamento
teria tido um efeito positivo generalizado. Ocorre que os dados apontam na
direção inversa.
O Mapa da
Violência, diga-se, tem um estudo específico sobre morte por armas de fogo.
Vejam o quadro.
Como se nota,
cresceu entre 2003 e 2009 a taxa de mortes por armas de fogo por 100 mil
habitantes em 17 das 27 unidades da federação. Quedas significativas nessa
modalidade só, de novo, em São Paulo e no Rio.
Mas não só.
Aumentou a participação de mortes por armas de fogo no total de homicídios. Em
2003, com efeito, tem-se um pico, há uma queda e, depois, a curva volta a
subir. Vejam:
Que importância
tem isso?
“Que importância tem isso, Reinaldo?” A importância dos fatos. O Brasil continua a ser um dos campeões mundiais da violência e um dos países em que mais se mata no mundo.
“Que importância tem isso, Reinaldo?” A importância dos fatos. O Brasil continua a ser um dos campeões mundiais da violência e um dos países em que mais se mata no mundo.
A política oficial
se apega à falácia de que basta “desarmar” a sociedade para diminuir
drasticamente essas ocorrências. Os fatos demonstram, então, que não.
A única conclusão
razoável desse estudo do IPEA e da ONG Viva Rio (e eles não chegam lá, claro!)
é que a queda acentuada na venda de armas não concorreu para a diminuição dos
homicídios e, particularmente, dos homicídios praticados com armas de fogo. Ao
contrário: a sua participação no total de ocorrências cresceu.
Isso sugere que o
desarmamento, da forma como se tenta promover no país, é irrelevante. A razão é
simples: raramente os não bandidos matam — acontece, sim, mas é exceção. O
desarmamento, por óbvio, não desarma o crime.
Se queremos
diminuir a violência e a taxa de homicídios, não será com essa conversa mole de
ongueiro paz e amor. É preciso política eficiente na investigação e na
repressão. E também é preciso pôr um fim à impunidade.
O resto é conversa
de gente que aplaude o pôr do sol. Não que ele não mereça aplauso por cumprir a
sua belíssima rotina. Mas não resolve o problema da violência. Há números e
estudos provando que não.
O Ipea e a Viva
Rio, quando confrontados com os fatos, encontraram o contrário do que
procuravam. Mas vendem gato por lebre.
Por Reinaldo Azevedo



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